segunda-feira, 4 de julho de 2016

Eleições Municipais: por que não se discute a cidade?!


Por: Fernando Gomes(*) 
A imprensa local e a estadual tem dado amplo espaço de discussão sobre a sucessão municipal em Parnaíba. Em foco a disputa entre os aliados do governador Wellington Dias (PT) que tentam formar uma única chapa com os partidos da sua base versus a oposição (?).
O momento é propício à reflexões: quem já governou Parnaíba? Como se portou? O realismo e a sinceridade, às vezes áspera, com que trago essa reflexão tem razão de ser pelo mundo contraditório e assustador produzido pela ineficiente representação política local e estadual e que, por isso mesmo, deve merecer mais atenção nesse momento histórico de necessidade de mudanças que passa o Brasil!
Vivemos um momento de incertezas! Ninguém sabe quem vai ser candidato a prefeito de Parnaíba e assim, igualmente desconhecidas, as propostas para a cidade! Desentendimentos e falta de uma agenda pautada nas demandas da sociedade dão o tom do atual momento político.
De um lado, o grupo formado por lideranças governistas tem no atual prefeito, Florentino Neto (PT) um nome que deseja a reeleição, mas o suplente de deputado estadual Zé Hamilton (PTB), ex-prefeito de Parnaíba, também tem interesse na disputa, embora negue tal pretensão em frente às câmeras e microfones. Também da mesma base, o deputado estadual Dr. Hélio (PR) afirma que pode ser candidato. Indefinições à parte, pouco tem se falado em favor da cidade.
Por outro lado, a “oposição” sem rumo definido espera não sei o quê! Nomes que requentam a chapa da representação política local parece não ser absorvida pela sociedade. Vaidades e projetos pessoais se fazem perceber em ambos os lados! Esses atores políticos, até o presente momento, só discutiram “projeto de poder” e ainda não sinalizaram ações voltadas para o bem-estar da população. Uma lástima!
Nenhum deles falou da cidade e seus desafios. Como vivem os parnaibanos? Como está a qualidade da escola municipal? E as nossas crianças, sem creches? Os jovens sem emprego e sem perspectiva, presas fáceis das drogas e prostituição? As pessoas doentes que precisam de atendimento médico e madrugam em filas de espera nos postos de saúde? E os usuários do transporte coletivo?
Os partidos e os seus membros têm que discutir projetos e ideias para Parnaíba, uma cidade que há muito espera por uma gestão eficiente e comprometida com a sua gente, antes de tudo. A rigor, carecemos de líderes que não se orgulhem apenas de não usar agressões verbais na política ou de ser mero inaugurador de obra. Carecemos de um iniciador de um processo que nos leve a exercer uma política, de elevação e respeito, da qual as pessoas possam participar ativamente (sem medo) e se orgulhar.
Para os atores do momento, a pobreza, o desemprego, a violência, a falta de qualidade dos serviços de saúde e educação são vistos como fenômenos que ficaram para trás da agenda política. O importante agora é definir quem vai governar e os “arranjos” da composição. Não importa o preço e a conta. Nem tampouco o sofrimento desta gente humilde e pacata. Ao fim, quem paga mesmo é o povo!
Aumentar a esperança e a qualidade de vida, onde se vive desempregado e se morre muito cedo, seria o grande desafio para a Parnaíba de nossos dias. No entanto, esses representantes e seus partidos políticos não têm perfil ideológico definido e nem propostas concretas. Não oferecem alternativas e não sabem ser governo. Esses mesmos, em campanha, prometeram maravilhas (e vão prometer de novo) e, no exercício do governo desculpam-se de sua inoperância, protestando contra a crônica falta de recursos. Os partidos, perdem a fisionomia; e os políticos, a credibilidade!
Podemos nos perguntar, então, sobre quais têm sido as questões principais que vêm norteando o debate parnaibano sobre as relações entre política e sociedade? O ponto central que discuto é: algumas questões cruciais para a melhoria da qualidade de vida não têm sido levadas na devida conta, dificultando sua efetividade. Se é assim, é importante as pessoas entenderem a lógica da política partidária da forma como ela vem sendo disputada na cidade. Também é preciso procurar propiciar a elas uma outra racionalidade, onde o poder público deva assumir o papel de promotor do bem-estar social.
Pois bem: quais são as questões que, usualmente, e em graus não-desprezíveis, têm sido negligenciadas quando se formulam e se colocam em prática a discussão sobre a sucessão municipal em Parnaíba? Destaco as que se seguem. Quem são, de fato, os candidatos? O que estão discutindo? Em que medida esses "interesses" impactam a constituição de suas identidades? Por fim: qual a importância da política para as pessoas em geral?
Precisamos, urgentemente, de uma plataforma de governo que, além de cuidar da cidade em período pré-eleitoral (asfaltando ruas, tapando buracos e organizando praças) incluísse entre as suas prioridades a produção agrícola irrigada (DITALPI), a melhoria dos serviços de saúde e educação, políticas públicas para o turismo, a juventude e a cultura, o desenvolvimento tecnológico e a segurança para todos, reorganizando a administração em torno de ideias e propostas concretas. Ou seja, trocar o cinismo do jogo político, voltado somente para os holofotes da mídia, por ações estruturais de governo!
(*) Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano.

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